quinta-feira, 30 de agosto de 2012
*Conto de passagem* - Desastrando
Tudo sempre caia no chão , por mais que eu quisesse, por mais que minha mãe
pedisse para ter cuidado, tudo sempre caia no chão.
Meticulosamente coloquei as chaves sobre a mesa,fazia frio, mas as janelas se
encontravam abertas como sempre estiveram.
Quisera eu que minha mãe estivesse ali para ver o meu cuidado ao por as chaves na mesa,
a preocupação com a janela aberta, a minha atenção, o meu reflexo.
Muita coisa mudou desde a última vez que falei com minha mãe, ocorrera inclusive a sua
morte, certamente explicável , morrera de frio a pobre velha , sua casa era demasiadamente
gelada, se não foi isso , pudera ter sido a solidão , tão detalhista e severa, afastou-se de todos os filhos, do marido,dos amigos,porém eu, jamais perdi o pensamento em minha mãe.
Todos os dias limpava a casa, organizava tudo, me alimentava e logo depois ligava para ela.
Fazia tudo antes que ela pudesse ter o direito de perguntar ou reclamar, mesmo longe,
mesmo eu tendo me libertado.
Começei a espirrar feito louca, nunca havia visto tanta poeira, tanto descuido. Pensei como
seria triste se ela tivesse visto aquilo.
Me pus a limpar, esfregar, lustrar, e por fim pintei uma das paredes que considerei mais tomada pelo mofo, ela teria medo se me visse a sujar a casa e sujar-me pintando, assim
mesmo eu o fiz, e limpei o que sujei , sem deixar nada cair.
Sai de lá trazendo fotos precisando de restauração, e alguns documentos, trouxe também meu orgulho.
Eu sentiria mais falta de minha mãe, se a sua doença não tivesse quase acabado com meus neurônios enquanto estive com ela, as bactérias sendo visíveis ou invisíveis sorriram ao vê-la
sem vida , pois quando a tinha, dedicou-se a destruí-las, enquanto a única coisa que eu tentei destruir até o dia em que ela se foi, foi seu maldito toque.
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Mãe é mãe, aonde quer que estejam, são sagradas, agora eu sei opq de vc sempre desculpar a criança véia. V.V
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